quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Diário-Crônica


O gato japonês


Cheguei em casa, aquelas roupas todas penduradas pelo apartamento, secando. Lavei pra ver se saia um pouco de mim daqueles tecidos. A Cecília não gosta quando lavo a roupa; estendo como consigo aquele mundaréu de coisas úmidas (que sensação terrível a de um tecido molhado!), mas a gata estranha aquela barraca colorida armada dentro de casa. Não resiste, puxa um por um, camisetas, vestidos, calcinhas, o prendedor pula como um grilo e ela o pega no ar, sua presa. Não me canso de me surpreender com as coisas incríveis que faz Cecília, mas o ritual dela de destruir aos poucos a casa sempre me intriga.
Esses dias, minha amiga Ana Cláudia foi a São Paulo e de lá me trouxe um gatinho de porcelana japonês, muito mimoso, que coloquei na estante da sala assim que cheguei. Bobagem! De manhã ele estava no chão, inteiro, mas derrotado – Cecília não deixara por menos aquela invasão de seu território. Ela não atura qualquer desaforo, nem que seja inanimado. Não sei como, mas ela conseguiu se enfiar no canto onde coloquei o gatinho e derrubou-o, impetuosamente, matando aquela coisa sem vida como se derrotasse um inimigo.
Meu gatinho de porcelana lutou e sobreviveu, por incrível que pareça, sem arranhões ou rachaduras. Mas Cecília não se convenceu com essa resistência do objeto ante sua destreza felina e, vez ou outra, ainda encurrala o pobre oriental na estante. Não há dúvidas, a casa é dela; insolente fui eu ao trazer o intruso sem pedir permissão para minha dona.

Um comentário:

Alan disse...

outro nome para essa gata podia ser "Supermegahiperatividade".