segunda-feira, 2 de março de 2009

Um dia, dois gatos

Gatequese
Ah, peludice tão simétrica
Listradez tão bem desenhada!
Como podem essas mãos e pés forrados
Andar todo o tempo em silêncio?
Explorar a beleza da casa
Apenas com quieta presença?

Ó gato que come silencioso,
Que dorme murmurando
Que fala com prazer em agudos ruídos
O que te guia pela minha casa?
Por que amá-la com tua presença?

Como explicar o teu desenho
Linhas pretas em teu pêlo
Essa curva da tua espinha, as orelhas em relevo
Continuação da perfeita cabeça?

Como explicar que te retorças
Na mobília te espalhando?
Derretendo-se teu pêlo
Incorpora-te na estante.
Tu és dono em minha casa
Tu enfeitas o que não tenho
E é perfeita minha morada
Com tua pessoa felina.

É como tudo tão branco
Os cômodos sempre tão tristes
Imergidos em algo pobre e simples.
Mas há um gato deitado.

Olhos descansados e mudos
Observam o que acontece dormindo.
Com tua orelha parabólica
Tu escutas as vozes de tudo.

E a casa se enche de ondas e coisas
Que ninguém jamais viu ou verá
Em nossa humana humildade.
Mas o gato escuta as orelhas
E seus olhos, bigodes e unhas e pêlos
E tudo lhe fala baixinho.
E ele caminha em silêncio felino
Para escutar os mistérios.

Do alto de algum dos armários
O gato está me espiando
Ele faz da mobília e dos cômodos
Uma casa com vida e com graça.

(Umo gato dormindo quieto
Sonhando com a caça ou comigo
Deitado e é como se fosse
Um palácio a mais simples casa).

2 comentários:

leonardo disse...

Rainha cecília!

dona do castelo....

Anônimo disse...

Que bela tradução do amor por esses bichanos...É verdade: eles animam qualquer sombra e tudo o mais!
Beijos de uma igual domada,
Socorro.